Será que está na hora de desistir?


Há quanto tempo você se dedica à sua carreira de artista?

Quantas vezes já passou pela sua cabeça desistir, jogar tudo pro alto?

Ninguém disse que era fácil, não é mesmo? Ainda assim, há momentos de solidão em que nos questionamos se realmente vale a pena tanto esforço, tanta dedicação, tanta resiliência.

É desmotivador receber um “não” no resultado de um edital.

É triste enviar um email e não ter uma resposta.

É devastador ouvir familiares e amigos nos incentivando a desistir, a buscar outra carreira, a mudar de rumo.

Mas afinal, diante de todo esse cenário, o que nos faz efetivamente continuar?

Paixão. 

Vem de dentro de nós o  sentimento mais puro que existe, capaz de mover montanhas, capaz de nos re-energizar depois de um momento de tristeza, de fraqueza, de fracasso. O sentimento que nos faz querer jogar tudo para o alto e continuar. Que nos faz dizer que nunca mais vamos elaborar um projeto para este ou aquele edital e estar lá, firme e forte – preenchendo quadrados com limites de caracteres – no ano seguinte.

Não.

Não somos quadrados.

Não temos limites.

O que fazemos não cabe em um formulário.

É a paixão que nos faz acreditar. É a paixão que nos faz acordar no meio da noite (ou não dormir) porque há um turbilhão de ideias que surgem como ovelhas que querem pular a cerca.

Não precisamos de cercas, de limites, de amarras, de “marque a opção que mais se adapta à sua ideia”.

E se por algum momento, a paixão titubeia, é justamente aí que temos que nos dar conta de que grande parte das pessoas que nos rodeia simplesmente não encontrou sua paixão. Vida morna e sem graça essa.

Sim, artista incomoda.

E incomoda não apenas porque transforma, mas sobretudo porque faz o que ama.

Artista incomoda porque não se contenta, porque não aceita, porque não tem regra.

Abaixo os compromissos com hora marcada, abaixo os padrões, abaixo o sonho da casa própria.

Basta olhar ao redor para ver quanta ausência de amor há na rotina de quem nos cerca. O despertador que toca, o trânsito que sufoca, a hora marcada, a reunião improdutiva, o trabalho mecanizado, a hora extra, a falta de vida.

Artista incomoda porque ele é o reflexo oposto do que vemos hoje em dia. Artista não tem vida vazia.

E mesmo quando vazio é o bolso, a gente se vira, se ajeita, sofre, mas se organiza. E cria.

Artista nasceu para viver o agora. E é preciso entender que cada ideia tem tempo certo de nascer. Abaixo o imediatismo, abaixo a cultura do agora.  Silêncio! Tem uma ideia se preparando para nascer.

Tenha calma. Não se apresse.

Talvez seja apenas o mundo que não está preparado para sua ideia…

Não, querido artista.

Não está na hora de desistir.

Pelo contrário.

Hoje, mais do que nunca, está na hora de continuar!